Relato de uma experiência Empática – Katia Di Giaimo

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Ando um tanto reclusa mais quieta do que o normal, mas com toda a minha sensibilidade aflorada ao extremo.

Trago uma experiência que vivi exatamente hoje, foi algo inexplicável parece que tudo está muito ampliado em mim.

Por volta das 11 horas, chamei um Ubber em menos de 1 minuto ele chegou no local em que o aguardava, entrei no carro, um senhor moreno, quieto, semblante sereno, senti uma certa tristeza naquele homem.

Bem fiz algumas ligações e voltei minha atenção para o senhor vou chamá-lo de “Ivan”, comecei a puxar conversa com ele, falando sobre trivialidades e como boa empata que sou, energia acolhedora, ele começou a relatar parte de sua vida, transformando longos 25 anos em um pequeno trajeto do local que o chamei até a minha casa.

E então ele começa a relatar a sua história:

Trabalhou para a Hebe Camargo (no trajeto passamos em frente à casa dela) saltou deste homem uma melancolia, trabalhou por 25 anos com ela e começou a relatar a mulher humana que ela foi, com os 8 funcionários que estavam junto com ela.

Pouco antes dela falecer, pediu ao contador que fizesse todos os cálculos dos anos de trabalho de cada funcionário, chamou um a um, junto com o que havia de direito pelo tempo de trabalho, ela ainda reservou mais um “bom” dinheiro a cada um e pediu que eles fossem ao banco no dia seguinte, ela teve medo de falecer antes que eles pudessem retirar ou depositar o dinheiro na poupança deles.

Esse homem era motorista dela, pintava a casa, fazia de tudo um pouco, após a morte dela, ele entrou em uma verdadeira depressão, por 1 ano e 1/2 ficou afastado de tudo.

A essa altura, eu já estava no banco de atrás com o rosto lavado em lágrimas, pensando no quanto essa mulher foi maravilhosa, essa é a verdadeira generosidade, olhar para aqueles que estão próximos a nós e auxiliá-los nas suas dificuldades.

É uma verdadeira troca!

Eu ia contar esse fato, até comecei a gravar em vídeo mas a emoção dele ainda está comigo, algo me ligou na história do “seu Ivan”.

Muito pensativa em tudo que acabara de ouvir, ver a Hebe Camargo através da visão de alguém que até hoje sente a falta de estar ao lado, convivendo com a simplicidade e humanidade dela, de sua generosidade, como uma mulher famosa que era, mas que sabia reconhecer o auxilio de cada um que a cercava.

Feliz em conhecê-la desta forma, ter essa visão por trás dos bastidores dessa pessoa tão generosa, humilde e acolhedora, pensei no quanto o mundo precisa de pessoas iguais a ela e também como seu Ivan, com o sentimento de enorme gratidão por alguém tão especial quanto ela.

A história me comoveu muito, ao chegar em casa chamei o elevador e ainda com o rosto banhado em lágrimas, um vizinho no elevador não compreendeu nada, eu até tentei explicar juro, mas o choro me invadiu de soluçar.

E aí?

Como explicar para as pessoas, o tamanho desta sensibilidade?

Como explicar o quanto a história do senhor Ivan me comoveu, tenho certeza que não foi somente a história, junto com ela veio todo o sentimento de saudades do “seu Ivan”, e porque não dizer da Sra. Hebe Camargo também.

Esses dois fizeram parte de alguns minutos da minha vida, mas vou guardá-la para sempre em minha memória.

A gratidão é um dos sentimentos mais sublimes que alguém pode ter com relação a outra pessoa, porque ela perpetua no tempo, na energia sentida e emanada.

A gratidão sincera faz com que nosso coração se conecte para sempre àquela alma generosa, se todos pudessem sentir o que senti através do sentimento do senhor Ivan, entenderiam o quanto a gratidão é poderosa.

Nestes momentos penso o quanto ser Empata é algo divino mesmo, sentimos através do sentimento de outra pessoa, não sentimos apenas as coisas negativas, hoje pude através dessa história empática, ver o quanto esse “dom” de ser empata é sublime.

 

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3 comentários sobre “Relato de uma experiência Empática – Katia Di Giaimo

    • Katia Di Giaimo disse:

      Isto aconteceu ontem Carol, até hoje as energias dele e dela estão comigo…
      Mas vai ficando mais leve…
      De alguma forma, senti que precisava expor essa Hebe e o Sr. Ivan para que as pessoas pudessem compreender o que é ser empata, nas relações diária que temos.
      Tudo foi um aprendizado enorme.

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